15.1.08

MIND THE GAP! MIND THE GAP!



Finalmente, dedico esta postagem a relatar o que aprendi com os erros... Espero que sejam úteis a vocês, que pensam em sair do Brasil para se dar muito bem na Inglaterra. Foi pouco tempo mesmo, uma semana mas no que eu puder ajudar, eu me disponho mesmo!


Mind the Gap... alguém já ouviu esta expressão?


É simples porque significa “Cuidado com o degrau”, “Cuidado com o desnível” ou ainda “Preste atenção no desnível”. fonte:http://www.inglespraque.com/2006/09/29/mind-the-gap/


Por isso mesmo, cuidado com os degrais que serão necessários avançar para uma bem-sucedida experiência de intercâmbio.


Primeiramente, quero explicar o por que meu programa de estudo e trabalho deu errado. Pensei muito nos motivos que me fizeram desistir... Primeiro, a expectativa. Por um ano imaginei a viagem, os lugares e as atrações baseado no que me contavam ou no que minha imaginação direcionava. Escolhi Salisbury por não querer gastar dinhairo com transporte, por querer conhecer a verdadeira Inglaterra e por achar que mesmo sendo uma cidade de interior, seria diferente das do Brasil (eu não gosto de viver no interior) e finalmente, por achar que seria facílimo de ir a Londres, já que de acordo com a primeira informação que eu recebi, Salisbury ficava a vinte minutos de Londres!


Não corri atrás de tudo como deveria, achei que estavam todas as primeiras informações incontestavelmente certas. Fui arrogante e mimado ao planejar esta viagem. O programa de um mês de estudo de inglês (técnico e para aprender a trabalhar somente em hotéis) e cinco meses de trabalho, foi-me apresentado como sendo a melhor opção. Disseram que é difícil conseguir emprego no inverno e que era bom já ir com um emprego garantido. Não chequei que o local de serviço seria marcado sem chance de mudança e se isso ocorresse, seria avaliado pela escola de lá. Mas a mudança de local seria para o mesmo tipo de emprego: hotéis e se você não se sentisse bem e saísse, cairia na ilegalidade.


O salário pelos cinco meses me renderia 70% do tanto que paguei pelo programa (paguei mais por ter escolhido de maneira errada a passagem aérea e outros itens) e à custo de um esforço que não valeria a pena pra mim. Não gostaria de me mudar do Brasil. Fui com o intuito de falar inglês e não achei que o preço que paguei valeria a pena o aprendizado do inglês nestes cinco meses num hotel longe de tudo.


Escutei que você deveria ficar longe de Brasileiros para aprender inglês e foi esta a maior mentira que me contaram! Não fiquem longe do pessoal do seu país. Pelo menos nos dois ou três primeiros meses, até você se adaptar. Ninguém vai te entender e te ajudar mais do que o pessoal que está passando ou já passou pela mesma situação. Prefiram alojamento, pois a liberdade é maior. Em casa de família, recomendam considerar os hostes como seus amigos. Mas eles não lhe consideram assim, ao menos não por um tempo. Faz parte da cultura britânica ser reservado e não estabelecer muita comunicação com um estranho. Por isso, estar com brasileiros ajuda e muito na adaptação.


Se você gosta de cidade grande, não escolha o interior em hipótese alguma! Não diferem do interior daqui no que diz respeito à quantidade de atrações. É uma vida cara e no meu caso, que esperava economizar no transporte, acabei em uma casa de família a 20 minutos do centro. É claro que podem mudar a casa de família enquanto você está lá, mas isso eu digo para não acharem que tudo que dizem é verdade.


Como você foge de enganos como este? Procure! Procure o máximo de informações possíveis sobre o clima, pessoas que já foram pelo mesmo programa e tire suas próprias conclusões dando ouvidos a todos mas analizando tudo. Disse que gostava de analisar os erros dos outros para não cometer os meus e pequei muito em não fazer isso pela minha viagem.


Levem pelo menos 600 libras do Brasil e reserve-as com antecedência de pelo menos um mês. Os bancos e casas de câmbio trabalham mais com dólar e essa quantidade não é facilmente encontrada mas lhe dará um bom conforto pelo primeiro mês.


Leve na sua bagagem de mão, roupas e acessórios para uma possível emergência de extravio de bagagem. Lembrando é claro de que não devem ser colocados objetos cortantes, líquidos e sprays na bagagem de mão. Calculem tudo o que gastarem por lá e enquanto não ganharem o salário na Inglaterra, façam a conversão para tudo, que seja um café que você toma... Na cidade que fiquei, um capuccino custou 2.10 pounds... 8 reais! Então cuidado com os primeiros gastos. Não fiquem em casa nas primeiras semanas, principalmente se você está em Londres! Há muito para se fazer lá e no inverno, o frio não te conforta mesmo.


Pensem bastante nos objetivos que uma experiência desta pode lhe trazer para você guardar consigo toda vez que o desânimo bater... É comum nos primeiros tempos mas saiba que existe diferença entre lutar para vencer e lutar inutilmente. Podem te dizer muitas coisas mas se vir que não é para você, não insista em gastar as forças com o que não lhe serve e lembre-se de que cada ser é diferente do outro. O nível de tolerância, os sonhos e os métodos que se usam.


Tentei ajudar a você, respeitando a individualidade de cada um e torçendo para o sucesso de quem quiser ir ou quem quiser ficar.


Pra mim, não deu certo... Mas saio dessa com um aprendizado e tanto e não me arrependo do erro que cometi, pois se não fosse por ele, não teria aprendido isso tudo.


Um grande abraço pra você e sucesso nas suas empreitadas!!!


ByRani!

15 de janeiro de 2008 d.C

14.1.08

LONDRES-CASA



A resolução de todos os arranjos para terminar a minha viagem foi quase que imediata.




Falei primeiro com minha família e depois, fui à Polícia cancelar o registro. Até as cinco horas da tarde, a tarefa mais difícil foi tentar remarcar o vôo para o sábado à noite. No call center, me mandava para o site e, no site não havia informação nenhuma! O importante era ir para Londres e arrumar minhas coisas.




Na escola, não houve explicações, apenas burocracia. Apenas para meus colegas que se mostraram chateados por eu estar indo mas me desejaram sucesso no Brasil. Convidei a todos para vir ao país e lhes disse que ganhei o interesse de conhecer a Romênia e a Bulgária um dia. Trocamos e-mails, tiramos fotos e senti que tinha conquistado a simpatia deles, assim como fizeram comigo. Me despedi dizendo que o piloto "Kamikaze" (como fui apelidado) mandaria notícias e que a "Romenia and Bulgaria RULES!!!" Cheguei em Woodside Road, expliquei a família que estava indo para Londres no dia seguinte e de lá, viria para o Brasil. Minha homestay mother deu apenas um leve "Ohhh...really?!" com expressão de pena e ficou por isso mesmo. Então, subi para arrumar minhas coisas, sorrindo de satisfação por colocar tudo de volta na mala.




Jantei colocando a conversa por orkut com meus amigos em dia e a parte mais difícil foi dizer a Helder que eu estava indo embora. Ele ficou furioso e descreveu inúmeras opções mas a maioria ilegal ou incerta. O erro já havia sido cometido por mim. O programa Sandwich. Pareceu-me o mais propício, uma vez que o serviço é garantido. Mas não houve curso de língua inglesa regular e sim uma preparação para servir clientes. Por este motivo e por não suportar gastar mais um "pound" que decidi ir o quanto antes embora. Não havia opção de deixar o curso e fazer outro pois meu visto tinha sido especificado para este programa e se, nos dados da polícia constarem que não mais estou matriculado, não passo de um imigrante ilegal.




Conversava e explicava para três amigos ao mesmo tempo, apesar de ter escutado muitos incentivos para continuar. O fato é que não era certo continuar errado e eu precisava sair deste erro o quanto antes. Assim, meu host father dizia a todo momento, num tom de brincadeira que eu estava datilografando toda a internet... Percebi que estava era irritando ele ao ocupar o espaço no computador. Agradeci uma vez mais e subi para terminar de arrumar a mala.




Como combinado, o host father me levaria à estação da cidade de manhã, para que eu pegasse o trêm das oito e vinte para Waterloo. Saí do quarto, deixando dois cd´s de música brasileira, um pote de "Nescafé" e a chave da casa ao lado da televisão. Minha host mother desceu para se despedir de mim e me perguntou se eu tinha devolvido a chave da casa... Falei que estava no quarto, junto a alguns presentes e meu e-mail para um possível contato. Agradeci a hospedagem mais uma vez e fui para o carro. Sinceramente não me importo se gostarem ou não dos presentes...




No carro, o termômetro marcava exatamente 0ºC e a máxima prevista eram 8ºC. O dia estava claro e o sol tímido, não conseguia ainda derreter a fina camada de gelo nos passeios e nos carros. Em sete minutos chegamos na estação e me despedi do meu host father com um aperto de mão (os Ingleses não abraçam com facilidade, percebi isso na primeira noite, tentando dar um beijo de boa-noite no rosto da host mother mas a expressão de estranheza dela me demoveu da intenção) e ele me desejou apenas "cheers". O que realmente aconteceu a seguir!


Entrar no expresso foi confuso de início. A porta estava fechada e não vi ninguém embarcando. "Como se entra nisso daqui?!" Ao lado da porta, um círculo metálico rodeado pela palavra "open" esclareceu todas as minhas dúvidas: coloquei a mão por cima do círculo e a porta se abriu instantâneamente. O mesmo ocorreu para acessar a cabine de passageiros. Quando entrei me senti desconcertado: Estaria na primeira classe? As poltronas estava conservadas e o ambiente era bem confortável. Sentei-me e acomodei minha mala no chão. Pontualmente, às 8:20, o trêm deixava a estação em direção à Londres e uma hora e meia de viagem, ele chegava à Estação Waterloo. Uma cruel piada dos ingleses para com os franceses. A estação fica como o ponto final do Euro Star, principal ligação entre os dois países e assim, os franceses chegam a uma estação que tem como o nome a última derrota de Napoleão na europa e o fim da hegemonia francesa no continente. Para um povo orgulhoso e lendário nas rixas é um "tapa de luvas".


Combinei com Helder de encontrar às 10:00 e esperei por um pouco. Era um caos internacional. Nacionalidades diferentes transitavam pela estação. Assim tive a primeira impressão de Londres: Cosmopolita! Será que aqui, meu caminho seria diferente? Helder chegou e fiz algo que em dois anos de amizade nunca tinha feito ao cumprimentá-lo. Usualmente, apenas um aperto de mão. Quando ele estendeu a mão para me cumprimentar, pulei literalmente no pescoço dele! Aliviado por encontrar um rosto familiar no meio de tantos estranhos. Helder riu bastante da minha reação... Provavelmente sem entender... Não faz mal. Procuramos um café da manhã e fomos direto ao Mac Donalds. Isso mesmo! Há refeições com ovos e bacon até um determinado horário da manhã na lanchonete que fica mesmo na estação. Depois, ele conseguiu conversar com a atendente da British Airways e me ajudou na remarcação. O vôo sairia sábado mesmo. Não queria atrapalhar a rotina dele, já que em apenas quatro dias em Londres ele havia conseguido um emprego. Maldita hora em que escutei: "Não vai pra lá dependendo de um serviço no inverno, todos demoram mais ou menos um mês para achar!" Duvidara da minha capacidade e pagava caro por isso...


Levei a bagagem a um guarda-volumes e fiquei livre para começar um tour por Londres! Perto de Waterloo, caminhamos até a roda-gigante London Eye (olho de Londres). No caminho, uma bela surpresa. Os artistas independentes tocam música em locais públicos e os transeuntes contribuem com moedas. Parei diante de uma bela moça e fiquei escutando o som do violino. Lembrei da conversa na sala de aula "O som é capaz de curar muitas coisas..." e realmente isso aconteceu. Me voltei para Helder e ele me perguntou, reparando na minha repentina satisfação: "O que ela disse?" e eu respondi "Não foi ela... Foi o violino..."


Quando me vi na frente do Tâmisa, fiquei estático! Tudo era tão lindo! Grandes mansões, turistas pra caramba e finalmente, o parlamento. A arquitetura é fantástica e o Big Ben é realmente o símbolo incontestável da Inglaterra! Atravessamos a ponte e logo em baixo do imponente relógio, bateram-se as doze horas do dia. Cada som era único e hipnótico. Amei de paixão. Apesar de toda esta beleza, o rio Tâmisa tinha a mesma coloração de um sopão Maggi!


Depois do parlamento, Abadia de Westminster. Não tenho muita curiosidade por catedrais, só passei pela entrada. Mais interessante foi a cabine telefônica tão famosa. Uma porqueira pelomenos a que eu entrei - os ingleses às vezes parecem se esquecer que são conhecidos pela educação... Visitei os parques abertos da capital, lindos mesmo em pleno inverno e o palácio de Bukingham. Três portais guardavam a entrada, cada um voltado para uma ex-colônia do Império Britânico inscritos nelas: Austrália, África e Canadá. A bandeira hasteada anunciava que Sua Majestade estava "em casa". Helder me disse que havíamos perdido a troca da guarda que acontecia às 11 horas da manhã... Então, pessoal programem-se para assistir e depois ir até o Big Ben escutar as badaladas do meio-dia! Compensa e muito!


E a fome bateu... Fomos para uma rua bastante movimentada, perto do cinema Odeon. Os cinemas são absurdamente caros! Em torno de 10 libras (quase 40 reais) para assistir um filme! E não existem "meia-estudante" só desconto de 1 ou 2 libras. Pelos preços, acabamos almoçando no Mac Donalds... Lotado! Todos os Londrinos foram educados para dar informações e é claro, a porcentagem mais significativa da cidade (os estrangeiros) também! Algo que Helder comentou comigo e que acabei reparando... Os ingleses vão a restaurantes e almoçam ou jantam sozinhos... Não é muito comum grupos de amigos conversando por aqui. Saímos do Mac e fomos direto para London Eye para encontrar com um colega de sala do Helder. O japonês Kento. Ele chegara a um mês e planejava ficar um ano em Londres. Nos contou como era o Japão e a cidade aonde ele nasceu, o que estava achando de Londres e que gostaria de ao voltar para o Japão, ser músico. Comentei que no Brasil isso é um pouco difícil pelo pouco incentivo dado à cultura.


Achamos um jeito de chegar até a atração que eu martelava na cabeça do Helder desde o momento em que chegara: British Museum!!! E fomos felizmente, de double deck bus! O ônibus vermelho é bem confortável mas se você estiver subindo a escada para o segundo piso, se segure. Se não fossem os anos de treino nos coletivos de Belo Horizonte...


A entrada do museu era majestosa... Na mesma idéia que os templos greco-romanos. Por isso me preocupei de quanto custaria a entrada. Não haviam caixas! Não custava nada!!! A entrada era de graça para todas as galerias exceto a exposição chinesa "The last Emperor" que ficaria no museu até abril. Corria por todos os lados para ver estátuas egípcias, figuras impressionantes dos grandes faraós como Ramsés II e Amenemosis III... Disparava a explicar em inglês para Kento cada pedra e objeto do acervo egípcio que eu conhecia. Segundo ele, eu deveria trabalhar ali! E era uma boa idéia! Ele me disse também que tinha ouvido falar de Belo Horizonte no Japão! Que era uma cidade conhecida para quem queria passar finais de semana e descansar, para a minha surpresa e orgulho.


Exposições mesopotâmicas, gregas e romanas. Me perdi pelas galerias do museu e foi o melhor momento que passei na Inglaterra, sem dúvida! Tanto que perdi a hora e tinha que estar em Heathrow às 18 horas. Eram quatro da tarde quando me dei conta e com alguma dificuldade, conseguimos sair do museu. Me despedi de Kento e desejei-lhe sinceramente todo o sucesso que Londres pudesse lhe oferecer. Helder me acompanhou à Waterloo para pegar minha mala e entramos no labirinto chamado "Subway" ou para os londrinos, "Tube". Ele me explicou como chegar à estação do terminal 4 de Heathrow e nos despedimos. Disse-lhe que gostaria que ele tivesse muito sucesso, conseguisse tudo o que vinha buscar e que estaria torçendo muito por ele. Apesar de chateado por eu estar voltando, ele me pediu apenas para me avisar ao chegar no aeroporto.


A viagem de metrô foi longa e pensei em tudo o que tinha vivido até ali, no que o pessoal diria e em tudo que eu estaria deixando ou estaria ganhando. O caminho já estava traçado e agora as decisões seriam as de um adulto e não de uma criança cheia de vontades.


Em Heathrow, segui uma rampa até o acesso aos elevadores gigantescos para acomodar as malas. Terceiro andar... Departures... Balcão no final do lado direito... Remarcação... 51 libras... Vôo doméstico também remarcado... Check-in... Embarque internacional... Pepsi e chocolate milka... Revista GLBTT para saber como a Inglaterra "Arco-Íris" pensa, consume, vive e discute... Internet a 1 libra 10 minutos para avisar que o vôo sairia às 21:30... Espera... Lojas e mais lojas... Estrangeiros... Conversa com um funcionário somaliano sobre como ele chegara à inglaterra, o que achava do país... Espera... Internet... Faltam 50 minutos... 40... 30... British Airways flight 247 to "Sao Paolo" and Buenos Aires (por que eles conseguem dizer Buenos Aires e não São Paulo?!) boarding at gate 21...


Correria, aonde estava o portão 21?! Aki! Mais corredores... Vou perder o embarque?! Corredores... Aiai... Corre... Corre... Mais corredores... Alguns passageiros... Corre mais! Cheguei!


Na frente do balcão do portão 21, uma fila monstruosa dos passageiros BA247. Foi passando o tempo e tiveram que permitir o acesso pela entrada da primeira classe para que os da classe econômica pudessem embarcar à tempo. Ao me aproximar do funcionário, reparei no crachá o sobrenome "Afonso" e nas bandeiras listadas, a de portugal. Entreguei o meu tiket e ele disse "Thank you" e eu, "De nada". Divertido, ele levantou o rosto e me encarou perguntando "Que é que você tá correndo, hein? Hahaha..." Foi bom ouvir mais um pouco de portugues naquele aeroporto tão cosmopolita!


Embarque feito e me senti bem mais confortável. O piloto se apresentou e decolamos eram quase dez horas da noite. Não foi um vôo tão turbulento como o da vinda. Terminei de assistir Tootsie (adorei!) e pela terceira vez, Brokeback Mountain! O jantar foi agradável mas o vinho estava extremamente seco. Dormi pouco e de café da manhã, ovos mexidos, salsicha e cogumelos. Pousamos em Guarulhos com uma leve, mas persistente chuva. Na hora em que o 747 tocou o chão do Brasil, me senti muito bem.


Corri para pegar minha mala e fazer o check-in na Tam. Embarque imediato, vôo saindo às 8:30 (e eu havia chegado às 7:10). A sala de embarque doméstico estava abarrotada de gente. No avião esperamos uma hora pois houve um problema de "No Show" de 50 passageiros. O vôo foi ótimo e a aterrisagem em BH foi o melhor!!! Só restava um problema. Devia chegar na rodoviária de Belo Horizonte para pegar o ônibus de meio-dia para Patrocínio e o primeiro ônibus do aeroporto para BH saía 11:15 e levaria uma hora. Corri até o guichê de pagamento do estacionamento perguntando quem iria para a cidade, se poderiam me dar uma carona. Encontrei um senhor que ia para a Pampulha(região de BH) e de lá pegaria um taxi. Eram 11:40 quando cheguei ofegante no balcão da companhia União e solicitei minha passagem. Comprei três pães-de-queijo e um refrigerante Mate Couro para matar a saudade. E como estavam deliciosos!


18:50, cheguei em Patrocínio e desci do ônibus jogando a mochila para longe para poder abraçar minha mãe, minha irmã e minha tia. Chegando em casa, alguns dos meus amigos estavam me esperando e fizeram daquela a melhor boas-vindas de que tenho notícia!!! Muitos casos, poucas fotos e alguns planos. Fiquei bem, estou bem... Um final feliz e um recomeço promissor.


E por aqui eu fico, pessoal...

É isso ae, acontece...

E vamo-que-vamo!!!!!!!!!!!!!!!


Abraço pra você!
14 de janeiro de 2008

11.1.08

BRASIL!


5:00...




O que?! Naum acredito! Vou tentar dormir de novo...




pensamentos...




"Seis meses... Nossa, o fulano foi pra escocia e soh tinha ele no hotel... If I go to Scotland I die! ... Como sera que estao o pessoal? ... Desiste do programa... Ah, meu filho, esolheu a Twin agora vc tah no saco... Comunication... E o dia do meu aniversario? ... E se nao tiver brasileiros no hotel? ... Naum liga, vai dar tudo certo... Humor variavel... Cof Cof... Ele foi pra la e voltou fumando... Ah, soh alcool pra te fazer aguentar... Voce tah neurotico! Fica calmo... Vai passar... Se voce fica em casa, voce pira! ... Que comida pessima... Todo mundo me trata bem, por que eu to assim? ... E uma experiencia e tanto, eu to aqui a um ano... A existencia e subjetiva, cada ser e um ser... Filho, quando voce fechar a mao assim e der um beijo, saiba que estarei contigo... Maeeeeee!!! Me ajuda! Tah doendo muito!!! ... Nao, elas nao vao saber, ninguem vai saber! ... Eu fiquei aqui um ano... Figado de porco??? ... O cheiro e diferente, a comida e diferente... Ta ventando no meu rosto... 5:15... Esse maldito tempo nao passa?! Dorme!!! ... E preciso lutar... Como voce vai voltar? Derrotado ou Satisfeito? ... Isso nao e pra mim... Saudade de voce, Tricia!!! ... Naum liga pro que os outros vao te cobrar, mas fica o maximo que conseguir... eu to pirando... Ontem foi melhor, ante-ontem eu tava bem... Pede ajuda!!! ... Ja pedi!!! ... Vai dar tudo certo, nao desiste... Excuse-me... Thank You... May I... Nossa, Rani! Que tudo... aproveita ae!!! ... Aproveita muito... Nossa, voce ta na Inglaterra?! ... Nao era pra ser assim! Sera que eu sou o unico? Dorme... 5:23... Socorro... Pra quem? ... Lagrimas... Lagrimas... Quanto dinheiro voce gastou!!! ... 4.700 reais so de passagem?! ... Eles nao reembolsam nada! ... O frio fica pior em fevereiro... Meu aniversario... Vou ter muita coisa pra contar... Pra que eu vim? ... Cada um e diferente do outro... Cada um e diferente do outro... Ainda faltam 3 semanas so pra acabar esse mes e a que passou demorou um ano!!! A passagem ta ali... Mesmo se nao tivesse... Bastet, me ajuda!!! ... Voce quem sabe o que e melhor pra ti, independente da opiniao dos outros... Fracassado... Fracassado... Nossa! Ele ficou so uma semana?! HAHAHAHA... Fracassado... 7:14... CHEEEEEEEEEEEEEEEGA!




E foi assim, que eu decidi acabar com seis meses de estudo e trabalho no exterior...




Numa fria e chuvosa manha de sexta feira, apos esse frission de pensamentos, decidi que nao ficaria mais uma semana ali! Independente do que escutaria, do que me perguntariam, de tudo e de todos! Iria para Londres no sabado, voltaria no domingo a noite e trocaria a passagem para segunda feira.




Parece um tanto repentino e uma decisao tomada em um momento de crise, nao?




NAO




Desde que cheguei na Inglaterra, detestei cada minuto que passei aqui! Esse frission foi o ultimo e desde o dia 6 que eles acontecem e, independente da ajuda se tornaram mais frequentes. Ahn? E isso mesmo! Nao coloquei no blog antes por que achava que era uma crise, coisa passageira...


O frio... Me aqueci e nada... Foi piorando.


A saudade... Orkut, msn... Nada... Ficando pior


A falta de conversar com brasileiros... Nao... Nao melhorou


A comida... Mac Donalds, coisas familiares... Tambem nao!




E assim foi passando a primeira semana... nada melhorava, nada adiantava e pela primeira vez, entrei em depressao. Era so procurar alguem da escola. A escola... eu vim aqui pra trabalhar e conversar em ingles... nao notei muita diferen(c)a no ingles dos brasileiros que ja estao aqui...


Pra me acostumar com uma cultura diferente... Sim, me acostumei e tentei me confortar com as necessidades basicas a medida que ia sentindo... Nao adiantou. Quando decidi voltar para o Brasil, me senti pela primeira vez na Inglaterra, feliz de verdade! Ate que entendi a mensagem: Nao e pra voce!




Doi pra caramba ouvir a verdade. Eu? Passei a vida toda me vendo ao redor do mundo, longe da minha familia e dos meus amigos sem nenhum problema... Nao. Nao sou assim, nao funciono assim. Minha adapta(c)ao em Belo Horizonte foi instantanea. Ja mudar pra um pais diferente, sem ninguem conhecido? Nao deu certo... Pode ser que se eu ficasse mais tempo... Se eu ficasse mais tempo eu precisaria de um psiquiatra ou uma ambulancia. Falo serio! Nunca me vi assim. Acabei me conhecendo melhor, sabendo que este e o meu limite. Nao vou for(c)ar a barra por que nao vai valer a pena. Duas frases me nortearam a encontrar o caminho certo: "Cada ser e unico" e "Procure o galho mais forte, nao teime em ficar no mais fraco ou o tombo sera certo." E quem diria que o cara que torcia o nariz quando a tia falava "Voce nao vai aguentar" achando que era puro pessimismo, agora reconhece que tem gente que conhece particularidades nossas que nos nem sonhamos.




Eu consegui meu objetivo: Amadureci. Me conheci. Descobri quais sao os meus limites.


Lamento por que de inicio, queria incentivar todo mundo a ir pra uma experiencia como essa.




Nao tenho nada a reclamar da Inglaterra de uma maneira generalizada. Eu nao me adaptei aqui mas e um pais realmente lindo, as paisagens e as cidades sao fantasticas, tudo funciona e ao contrario do que se costuma dizer, os ingleses sao educados (pelo menos a maioria que encontrei) mas sao realmente reservados. Isso nao significa que nao se tornem seus amigos mas eles nao irao correr atras de voce para iniciar uma conversa.




Entao, concluindo:


-Cada ser e unico;


-Nao fica se for(c)ando a fazer algo baseado na opiniao dos outros;


-Cada experiencia e unica


-O BRASIL E OTEMO! (mesmo com as porcariadas dos governantes, nosso povo e mais alegre)


-Olhem tudo antes de viajar: a cidade que vao ficar, as dicas e informa(c)oes de quem ja foi, a esta(c)ao e o clima de onde voces vao e eu nao recomendo o Sandwich program pra ninguem. Saber tudo de ultima hora nao e confortavel e existem muitas falhas na documenta(c)ao ate para quem trabalha na alfandega britanica. Recomendo um tipo de programa que voce procura emprego por sua conta pois oportunidades aqui nao faltam!




Espero que mesmo curto, o blog tenha sido agradavel de ler e voces tenham gostado e aproveitado alguma informa(c)ao. Qualquer duvida, no que eu puder ajudar eu me disponho.






11 de janeiro de 2008

10.1.08

ATRASADO




Sao 8:30!


A frase nao levou 1 segundo para lampejar no meu cerebro e minha aula come(c)ava as 9! Estava abrindo os olhos... Fiz o que devia fazer com calma. De que adiantava desespero? Ja sabia qual onibus pegar mas havia um ponto em cada lado da rua. Fui para o que parecia o lado certo para o centro da cidade. Woodside road fica a 15 minutos da pra(c)a do mercado (local da minha escola). Dois onibus passaram do lado oposto... 10 minutos... Nada... 20 minutos... Nada... Come(c)ava a chover e tive a rea(c)ao de ler um anuncio envelhecido na lateral do ponto de onibus: "From febuary 19th 2006 on, all buses to Salisbury will pass on the other side of the street". (de 19 de fevereiro de 2006 em diante, todos os onibus para Salisbury passarao do outro lado da rua) Ma-ra-vi-lha!


2.50£ pagos, assento ocupado e 20 minutos, o onibus chegava a pra(c)a do mercado. Pelo visto a principal da cidade. Expliquei a secretaria da escola o motivo do atraso como um "bus incident". Nao queria assumir mais esta distra(c)ao, parecia desonroso no momento... Depois, sem mais problemas, fui encaminhado para a sala de aula.


O professor, irlandes e amante da musica do seu pais, segundo orgulhosamente nos contou, me apresentou a sala: 9 romenos, 1 bulgaro e eu. Apesar de ele ter pedido aos alunos romenos que falassem apenas em ingles, de tempos em tempos haviam comentarios numa lingua estranha que me pareceu uma mistura do frances, russo e ate italiano. Nesta hora bateu uma saudade de conversar em portugues...


Todos pareceram bastante simpaticos e os assuntos variaram de informa(c)oes sobre restaurantes proximos (logo ao lado, um que serve "fish chips" Irrrca!!!) ate uma discussao sobre como o violino ajuda no desenvolvimento da personalidade dos bebes e seu som tem capacidade de curar muitas coisas... Menos saudade...


Depois da aula, fui correndo para algo familiar que ja havia checado no dia anterior: Mac Donalds! Em 2 minutos, la estava entrando em algo que "lembrava" o Mac Donalds que eu conhecia... Um extenso cardapio de sanduiches apimentados e outros variados. Felizmente o Big Mac e meu preferido Mac Chicken (que pedi), figuravam nas "celebridades". O pre(c)o era um pouco mais do que se paga no Brasil (3.70£=R$14,00). Finalmente checaria se o gosto era tao diferente... Coca: pareceu a mesma... Frutas: um pouco menos secas... Sanduiche: Uau! Este sim, mas melhorou - mais pao e um file de frango mais saboroso. Sera que eles puxam o saco de quem fala ingles?!


A aula era so pela manha mas eu preferi explorar a cidade. Fui atras de lojas para ter uma ideia de pre(c)os, livrarias - claro! E os famosos "pubs" mas so os vi por fora. Passando pelo famoso TESCO's, o supermercado que dizem ter os melhores pre(c)os da cidade com produtos familiares como Colgate e Shampo Fructis, ate estranhos legumes embalados em plastico e congelados, ate a esta(c)ao de onibus para comprar o passe mensal que me permitisse por um mes, pegar quantos onibus eu quisesse na cidade (45£).


O principal objetivo do "tour" era o local recomendado pelo professor: a biblioteca da cidade. A lufada de ar aquecido da entrada nao me confortou tanto quanto o panorama das estantes cheias de livros. Nao era um acervo monumental mas serviria muito bem nos 30 dias seguintes. Comecei por um autor familiar mas uma obra ainda nao lida, apesar de conhecer bem o titulo: As maximas do sabio Ptah-Hothep, por Christian Jacq. O conjunto de conselhos pode ser chamado de auto-ajuda mas estava na se(c)ao de "Sociologia e Comunica(c)ao" e foi escrito pelo vizir de um farao a mais de 4300 anos. Estranho notar que nada mudou!


Passei a tarde devorando o livro mas lentamente, para me acostumar com o ingles escrito extensivamente. Terminei de ler as 4:50 da tarde com a ajuda de um dicionario ingles-portugues (adianto que nao precisei usa-lo muito, modestia a parte) e a custa de uma dor-de-cabe(c)a incomoda!


Cheguei a come(c)ar o titulo seguinte: "Deus nao eh grande" mas como eram quase 5 horas e ja era "noite mesmo", fui ao ponto de onibus para voltar pra casa. Cheguei ao mesmo tempo que minha "homestay mother" e, conversando com ela sobre o primeiro dia de aula, aprendi a cozinhar batatas e milho para o jantar - so na teoria pois ela insiste em que eu nao preciso ajuda-la apesar de eu repetir toda hora: "What can I do to help you?"


No jantar, estranhei... Parecia faltar arroz e feijao... O visual estava diferente e lembrava os filmes com comidas "chiques" mas estava bem saboroso. Conversamos um pouco e fui apresentado ao que seria uma novela inglesa. Como nao sigo novelas desde Bang Bang (so por causa do Dr. Harold), nao achei muita diferen(c)a.


Depois de um boa-noite geral e conversar no telefone com mamae e Tricia, hora de dormir - fora do meu padrao, pois eram apenas dez da noite - mas com garantia de nao perder a hora no dia seguinte.


A semana transcorreu de maneira peculiar. Tal como meu humor, o ceu de Salisbury intercalava dias claros com dias de nuvens pesadas que passavam rapido trazendo chuva glacial. A falta de informa(c)ao e gritante. Por aqui, tudo necessita de perguntas e explica(c)oes. Nao reclamo por nao gostar de faze-las mas paguei muito caro para ter essa falta de assistencia. Fiz a "registration" no "Police officer" de Salisbury. Custa 34£ e 2 fotos 3x4. Mais o passaporte retido ate entregarem o "yellow card". So dai em diante que se pode trabalhar.


O frio e compania diaria mas ja venho me acostumando. A melhor novidade foi ter conhecido os primeiros brasileiros: Ramon e Fabricio, e finalmente conversar em portugues, matar a saudade das piadas e dos casos. Afobado e nervoso como estava, fiz pergunta atras de pergunta, provavelmente assustando os dois, para tentar montar uma realidade palpavel e um futuro planejado.


Estava sem comunica(c)ao na escola, pois os romenos conversavam muito entre si. Conversando com Ramon e Fabricio, descobri que a experiencia e mais que esperar que venham a mim. Nao sou egocentrico mas timido e contraido. Estamos no inverno e cada vez que me encontro so, procuro alguem para conversar. O que tem me ajudado muito.


Quinta feira comprei um passe-desconto na esta(c)ao de trem, com validade de um ano. Pagando 24£, voce tem 1/3 de desconto em viagens por toda Gra-Bretanha. Assim, a passagem para Londres, chegando em Waterloo, me custou 22£ ida e volta. Bem caro mas, parado eu naum iria ficar e queria visitar Helder e saber como estavam indo as novidades pra ele.


Salisbury tem tudo que um intercambista precisa. Os shopings e as lojas nao sao humildes nem poucos para uma cidade de oitenta mil habitantes. Nao ha predios, as mais altas constru(c)oes sao as catedrais e existem, segundo meu "host father", mais de 100 pubs aqui. Um disperdicio para alguem que nao toma cerveja...
Ate a proxima e...
Abra(c)o pra voce!!!
10 de janeiro de 2008

6.1.08

Heathrow-Salisbury



Pousamos e a Inglaterra agora esta aqui, ao alcance da minha mao.



Para quem passou a vida toda sonhando, e' sem-palavras...



Chequei que tudo estava na minha bagagem e deixei o 747 para o terminal 4, direto rumo 'a imigrac,ao. Foram poucas perguntas, alguns documentos obscuros sobre o fato de eu trabalhar aqui pois ate' agora, naum sei aonde nem com quem. Mas passei para a Inglaterra sem mais problemas.



Assim que desembarquei, o senhor Martin ja' me esperava para me levar a Salisbury. Uma hora e meia de Heathrow. Assim que entreguei minha bagagem para que ele a colocasse no carro, ele me pediu que entrasse e fui direto no banco de carona. Susto. Tinha algo estranho ali: um volante! Um pensamento infantil: "Mas as caronas quem dirigem aqui?!" E entao me lembrei de quantas e quantas vezes ouvi: "Os britanicos dirigem do outro lado da rua e do carro! Claro que naum sera' o u'ltimo mico! No caminho, conversando com ele, descobri o meu ingles, a ausencia de sotaque (que pretendo mudar) e as paisagens de um pai's ine'dito, bem diferente do que eu havia me acostumado...



Campos inteiros cobertos de geada sob o sol, carros largos, e direc,ao do avesso. Tudo novo, todo mundo fala ingles! Entao, fui entregue a minha nova morada, na Woodside Road, apresentado 'a minha nova fami'lia: mae, pai e irma mais nova, e ao meu novo quarto, com uma vista das colinas e casas de Salisbury. A primeira ac,ao foi involunta'riamente higienica: "can I take a bath?!" e em pouco mais de 10 minutos, eu estava... Humano... De novo.



Comunicac,ao e' a base de uma viagem assim, entao desci e conversei com o pessoal e fui convidado para ir 'as compras! Compra da semana num hipermercado e num domingao. Foi o'temo! Os ingleses tem comidas baratas e opc,oes das mais variadas. Os prec,os tambe'm ajudam muito, mas claro, para quem ganha em libras! Me apresentaram ao centro da cidade e 'a minha escola que comec,a logo amanha...



Bom, aqui estou...matando a saudade e tomando cha'...na terra da rainha... Semana que vem, tem mais!



Abrac,o pra voc,e!
06 de janeiro de 2008

Confins-Guarulhos-Heathrow


3:30...o celular apita. Hora de levantar.



No quarto, bagagens e mais bagagens... Muitas pra mudanc,a... As duas mais importantes, pro'ximas 'a porta.



Assim comec,a o dia 5 de janeiro, correria, arrumac,ao (desculpem o "um" e os estranhos acentos. No teclado britanico eles naum existem.. Algumas palavras nem terao acentuac,ao - assim que puder, corrijo tudo), taxi, passagens, tudo jogado na mala. Completando a exaustiva semana que eu causei quando naum consegui resolver o que precisava, deixando tudo pra u'ltima hora. As Libras pra viagem, oa documentos, as carteirinhas de estudante e alberguista... Tudo.



Acabei ficando o mais irritado possi'vel e o mais ainda - por que era comigo mesmo! Bom, no final tudo acabou ficando no lugar e vale lembrar - por ajuda de mamae, papai e Tri'cia. Cheguei ao 5 de janeiro cansado por naum conseguir dormir direito, estressado comigo e ansioso pelo que viria pela frente.



O Taxi chega e tudo se apressa ainda mais. As bagagens saum colocadas nele, depois, no expresso para o Aeroporto de Confins e, por u'ltimo, no check-in da Tam, pois so' as veria em Heathrow... Para Confins, fomos Mamae, Tri'cia, Marina e eu... Muitos assuntos, mamae sempre lembrando e recomendando e quando cheguei, fiz o check-in, fui ao terrac,o reconhecer a aeronave (sempre fac,o isso), cheguei 'a frente do embarque e me despedi.



Fiz um esforc,o para naum pensar no tempo que pessaria fora do pai's pois as "minhas" mulheres (digo "minhas" apaixonadamente) estavam um pouco emotivas. Tenho pavor de choro. Naum acho si'mbolo de fraqueza, naum acho indigno chorar, simplesmente por que eu naum sei como reagir e o que dizer. E assim o fiz, embarquei e quando a porta se fechou, estava entrando no "real".



Esperei um pouco na sala de embarque e mais um pouco no Airbus A320 da Tam, ate' a aeronave comec,ar a taxiar para a cabec,eira. Quando o aviaum decolou, queria estar o mais ra'pido possi'vel em Sao Paulo. Quando pousamos em Guarulhos um 747 da British aguardava no ponto de espera para decolar para Buenos Aires. Seria o mesmo que voltaria 'a tarde para me levar a Londres? Naum sei... Desembarque feito, setor internacional.



Em Guarulhos, o movimento de final de ano deixou as "Asas" (setores do aeroporto) um tanto cheios. Mas naum tive nenhuma dificuldade em me deslocar. Chegando 'as 8 da manha, sairia apenas 'as 18 da tarde! Tudo estava na mais perfeita monotonia ate' que resolvi checar a documentac,ao de imigrac,ao.



Faltava as partes estenciais: apresentac,ao pela escola e Casa de Fami'lia



Panico, medo, tudo... Meu sangue ferveu e meu corac,ao disparou 'a medida de que na minha mente, passavam as imagens da recusa da imigrac,ao, da deportac,ao, da volta ao Brasil e da vergonha cada vez que ouvisse "E a viagem, voce naum ia para Londres?!" Parei por um instante no segundo andar do terminal 1 e olhei... Olhei as pessoas 'a minha volta, olhei para o relo'gio e fiquei, tal como uma esta'tua enquanto a agitac,ao desvanecia ao redor de mim e o panico me dominou... Quase.



"Foi por isso que eu estou nessa!" Por naum pensar as coisas certas e na hora certa. Mudei a ide'ia de o "E agora?!" para "O que farei primeiro?" e liguei para minha irma em Belo Horizonte, para o seguro assistencia em Londres e ate', trocando os nu'meros, para minha "host mother"! Minha irma confirmou que os documentos estavam em BH e me mandaria por fax naquele momento, a assistencia tambe'm mandou os mesmos da mesma maneira e minha "host mother" me acalmou como podia e disse para me ajudar a ter coragem "At'e amanha, naum se preocupe, voce estara' aqui!" Paguei pelo fax e mais ainda pelo cartao internacional de ligac,oes. Enquanto isso, a fila do check-in se formava...



Sem almoc,o e com um cafe' da manha tomado as 3 da madrugada a naum ser pelo amendoim servido pela Tam, estava com muita fome mas so' me alimentaria depois de resolver tudo em que eu me havia metido. Chequei os faxes, corri para a fila do check-in e esperei que abrisse 'as 2:50 da tarde. Bendita hora em que havia feito a checagem pela internet... havia uma fila so' para isso e em pouco tempo, la' estava eu de boarding pass na mao



Foi nesse momento que ouvi duas senhoras entretidas numa conversa sobre final de fe'rias, toda em ingles que a viagem deixou de ser um estresse e se tornou um objetivo mais que sagrado. "Era pra isso que eu estava ali e era isso que ira ser feito!"



Passada a fome, a ansiedade voltou com forc,a total. Embarquei logo pois o check-in feito e' o u'nico pre' requisito para adentrar a sala de embarque internacional. Nesta hora, chovia em Guarulhos. Mas nada que atrasasse o embarque, 'as 16:40 no voo BA246. Antes de ir para a fila de embarque, um senhor me ofereceu duas balinhas de chocolate com um sorriso que parecia dizer "fique tranquilo". Acho que naum havia ningue'm em Guarulhos que naum percebesse minha ansiedade... Aceitei com um nada-firme "thank you" pois naum sabia se ele era ingles ou brasileiro. Assim, reconheci que, mesmo em se tratando de um projeto de vida, naquele momento, era necessa'rio que eu percebesse a simplicidade da minha tarefa - ficar calmo.



"We would like to invite the passanger for British Airways flight 246 to boarding at gate 10..."



Da ansiedade para a euforia foi um segundo de transic,ao. Entrei no 747 e me sentei no assento 48K que seria dividido com uma brasileira e um brasileiro. Exceto duas comissa'rias, toda a tripulac,ao falava somente o ingles. Chequei cada centi'metro do assento que me acomodaria por, pelo menos 10 horas. Travesseiro, cobertor e sistema de entretenimento so' ativo no voo. O comandante informou que teri'amos um atraso recorrente da logi'stica de carga. O atraso levou a que 'as 19 horas, o 747 nem havia ligado os motores... Mas 10 minutos depois, rasgando as poc,as de a'gua do pa'tio, o Jumbo roncava seus 4 motores RollsRoyce em direc,ao 'a cabeceira 27. Alinhado, decolamos 'as 19:08 e imediatamente entramos numa nuvem de tempestade que nos fez sentir os efeitos da turbulencia num quadrirreator... Em alguns momentos, assustadores.



Em pouco tempo, o jantar era servido (isso mesmo - jantar e estava pe'ssimo pra mim por que tinha atum!), e o sistema de entretenimento comec,ou a funcionar. A melhor surpresa foi ver a opc,ao, em "se'ries" de Will & Grace e em "Filmes", Tootsie (sempre tive vontade de assistir mas por um ou outro motivo, naum conseguia). 'As 21:40, cruza'vamos a linha do equador e as correntes de jato fizeram desta, a pior parte do voo pela vibrac,ao constante e intensa. Consegui apenas cochilar. Cada vez que acordava, a tela 'a minha frente indicava a posic,ao do 747: Iniciando a travessia do Atlantico, Perto das ilhas Madeira e Cana'rias, noroeste da Espanha e, quando "oficialmente" acordei, sobre a Bretanha (regiao noroeste da Franc,a, logo antes do Canal da Mancha).



Eram 7:20 quando comec,amos a descida para Heathrow. A costa da Inglaterra apareceu logo abaixo e o sol comec,ava a aparecer no horizonte... Naum exatamente o sol, mas um esboc,o dele. O piloto teve de efetuar uma espera pelo alto volume de tra'fego e no ce'u da Inglaterra, os grandes avioes nos acompanhavam. Logo abaixo de no's, um 777 (presumo) da AirCanada (Pude ver a cauda) tambe'm esperava pousar no aeroporto.



Passamos por cima de Londres e arremetemos pelo atraso de uma aeronave em livrar a pista. Londres de novo (para quem esta' indo pela primeira vez, nunca e' demais) e reconheci tudo: Picadilly, BigBeng, London Eye, Tower Bridge...so' me faltou o Pala'cio de Buckingham... e para mim e' muita coisa!!! Anunciando a temeratura, o comandante assustou muita gente: 2 graus! Dia claro... E assim, pousamos em Heathrow.
06 de janeiro de 2008

1.1.08

DEZEMBRO

video

A ficha caiu!

Empolgação.

A maior até agora. É como se só agora, tudo tivesse se tornado uma imagem única e eu pudesse perceber com clareza onde estou indo. Parece estranho, mas antes, não passavam de planos!

Pra explicar melhor, a idéia da viagem como uma meta, surgiu há um ano. No mês de novembro (ou outubro?), numa ida ao shoping. Dentro de um ônibus amarelo-gema. Eu e meu amigo Helder discutíamos como seria feita a viagem, no final de 2007. Era para passarmos o natal e ano-novo, já no Reino Unido.

Bem, como tudo na vida ocorre parecido, mas nunca igual à idéia inicial, não foi desta maneira que a realidade nos respondeu. Passamos por algumas mudanças e assim, comecei a crer que não fossemos chegar juntos, como estava previsto naquela tarde do último trimestre de 2006.

Independente do que nos aconteceu, os planos mudaram as datas exatas, mas a idéia permaneceu a mesma. Hoje mesmo, pudemos nos despedir para passarmos os feriados de natal e ano-novo com nossos familiares e amigos, dizendo: “Nos vemos em frente à Harrods!” Foi incrível perceber que os planos resistiram a 365 dias, mudanças, ofertas de emprego, estresses, correrias, sofrimentos por deixarmos de ver ao vivo, durante sete meses, quem gostamos.

Mas chegamos até hoje. E eu me sinto com o coração na boca! Eufórico, exultante, cansado, mas acima de tudo, preparado para começar a parte real. Ela assusta, inibe, faz duvidar, mas ao mesmo tempo, maravilha.

E falta a última dezena de dezembro e os primeiros dias de janeiro para que o sonho se torne realidade. Valeu a pena planejar cada passo, rir e chorar dos próprios erros, mas aprender que, deve-se levar um pouco de tudo em consideração. De conselhos e palpites a sites de informações (às vezes não muito confiáveis - por isso disse “pouco”). Consegui chegar a etapa final e definitiva do planejamento.

O Reino Unido é, na minha idéia, uma “senhora”. Uma jóia antiga, rica em cultura e história. Com paisagens de encher os olhos e transportar você até o cenário das lendas de Avalon, dos Vikings, dos Reis medievais, cavaleiros de coração nobre, das donzelas apaixonadas e de vários personagens de contos celtas. Mas uma sociedade endurecida pela experiência, pelas guerras e que procura manter as tradições acima de tudo – a identidade do povo inglês, escocês, galês e norte-irlandês.

Viajo fascinado com tudo isto, e esperando que seja me mostrado que não passa de uma breve idéia, em vista das surpresas que me aguardam. Já escutei de lá pra cá, tanta coisa a respeito da minha viagem... Como previa, me canso de dizer mais de dez vezes ao dia o destino para mim mesmo, que dirá para os outros. Mas nunca me irritei. Cada vez que falo do assunto, me sinto lá. O que me espantou é que pouca gente sabe o que é Reino Unido, alguns já ouviram falar da Inglaterra, mas não sabem onde fica e muita gente fala bastante em Londres!

Para tirar algumas dúvidas, o Reino Unido é uma união de nações que perfazem um país. Têm como bandeira a “Union Jack”, junção das bandeiras daquelas nações que o formam: País de Gales, Irlanda do Norte, Escócia e Inglaterra. Londres é tanto capital do Estado Reino Unido, quanto da Nação Inglaterra. O parlamento de Londres dirige todas estas nações citadas, e a Rainha Elizabeth II é chefe deste Estado, mas só como figura representativa. Alguém aí já ouviu falar de um ditado: “O rei reina, mas não governa”? Mas ela também é considerada figura representativa de países que antigamente formavam o Império Britânico e outros que quiseram fazer parte desta associação: a Commonwealth (como o Canadá e a Austrália).

Explicações básicas dadas, mala e guia turístico comprados, algumas dicas: para quem vai em Fevereiro, Janeiro, Dezembro, Novembro e até Outubro. É bom lembrar que o inverno impera no hemisfério norte nestes meses em temperaturas que chegam fácil na casa dos -5 graus. Dizem que levar roupas do Brasil é um desperdício, pois elas não funcionam lá. Bagagem: aconselha-se a levar uma bagagem que pese até 23 quilos e uma bagagem de mão. Para gastar, um cartão de crédito internacional, pois há o câmbio para a moeda que você quer sacar na hora e acompanha a cotação do dia. Exemplo, se você depositar 200 dólares e quiser sacar 40 libras em Londres, elas sairão do seu saldo levando em consideração o valor dólar-libra do dia. Nos saques, você paga uma taxa por saque e não pelo valor que você saca. Procurem comprar passagens aéreas com seis meses de antecedência para mais, ou ao menos reservar, por que encontrá-las por preços acessíveis a um mês da viagem, só por milagre!

E o seguro de saúde, apesar de não ser exigido no Reino Unido, o é na Europa. Então se quiser ir á Paris, Roma ou Viena, escolha um com apólice superior a 30.000 euros. Você paga em torno de 600 dólares em seguro. E para o visto, coloquem rendimentos que possam ser retirados em curto-prazo. Nada de longo-prazo deve ser declarado (exemplo: ações). Siga as instruções de uma agência de vistos e apresente a documentação impecável, pois a análise é minuciosa. O prazo de chegada do visto é em torno de seis dias e as aplicações são feitas pessoalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Enfim, não é muito barato ir para o Reino Unido, mesmo que seja em um programa diferente de estudo/trabalho. As acomodações são cobradas semanalmente e em Libras! E Londres é um dos custos de vida mais caros do mundo, por este motivo optei por uma cidade menor.

As dicas vão ser repassadas conforme eu também for aprendendo... Tudo na prática é diferente e a idéia da prática já está me acelerando o coração de novo! Parece longe a época em que calculava os meses, dias, as horas e os minutos, perdido nos planos que estão exigindo, finalmente a minha ação. Bem, esta é a última vez que escrevo em solo brasileiro para este blog.

Desejo um Feliz Natal e um excelente 2008... Pra nós todos!

Abraço pra você!

20 de dezembro de 2007